Blogs Portugal

segunda-feira, setembro 18, 2017

A Balada de Roberto & Maria - 1ª Parte

Eu chorava e conduzia pela estrada nacional que me levaria para fora daquilo que me habituei a chamar a minha vida nos últimos 4 anos, elas escorriam-me gordas pela cara abaixo, sem sinal de quererem parar, e eu, incapaz de algo mais que me aguentar, pensava em como me tinha metido naquela situação, em como tudo aquilo tinha começado.

Eu conheci a Maria nos primeiros dias do 1º ano, eu tinha entrado num curso do qual nada sabia. Ela estava na minha turma, dezanove anos acabados de fazer, grandes olhos cinzentos, cabelos secos e amarrados e o corpo de uma bailarina que nunca o chegou a ser.

Os grupos foram-se formando e naturalmente aqueles de nós que eram de fora da cidade foram-se juntando, ambos estávamos nesse grupo, um pouco mais dispostos e abertos às novas possibilidades que vêm com o viver num sítio novo. De uma maneira ou de outra todos pensávamos no mesmo, com quem destas pessoas iriamos foder nos próximos tempos. Não estava lá há 2 semanas quando a Maria deu o primeiro passo. Já tínhamos estado juntos nas festas de recepção ao caloiro e em pelo menos outra ocasião tinha estado no meu quarto no final de uma noite de copos, mas nunca sozinha, até ao dia em que me ligou uma manhã:

- Queres faltar às aulas? Eu podia passar aí.
 - Eu estou a dormir – Disse-lhe eu com a casualidade de quem diz a verdade.
- Na boa, eu não te incomodo, fico no computador.

A campainha toca, abro-lhe a porta, ela vai para o computador e eu volto para a cama. Sonho com ruínas, com cidades abandonadas, paisagens de ferrugem e ervas daninhas. Acordo, vejo-lhe os contornos do corpo sentado, ela tem uma boa postura, sempre apreciei uma coluna direita.

- Vais-me buscar um iogurte líquido ao frigorífico? – Pergunto-lhe eu.

Ela leva-me o iogurte e senta-se de novo à secretária. Engulo o visco fresco e branco e sinto o doce aroma daquilo que a indústria alimentar nos programou a identificar como tutti-frutti. Levanto-me e vou buscá-la para a cama, faço-o muito casualmente, furtivo como um ladrão. Dispo-a, não digo nada, ela também não. Só a olho nos olhos a meio da luta, não sei bem porque os evitara tanto, mas quando a encarei só vi uma miúda muito surpreendida.

Continuamos assim durante umas semanas, ela ligava-me, eu abria-lhe a porta do prédio, ela subia as escadas, eu tirava-lhe a roupa e fodíamos. Com o tempo ela começou a despir-se sozinha, começava a adaptar-se à situação e porque é assim que funciona a minha mente, previ que não demoraria muito até que ela fizesse a sua jogada, e assim foi.

O jogo dela era o amor, eu não fui a jogo. Nunca gostei de jogos, não gosto de perder, porém não sou competitivo. Gosto dos prémios, mas desprezo a exposição e tampouco quero aprender as regras o que faz de mim um provável candidato a falhar na vida em geral. Porque raio sabendo eu disto sobre mim haveria de querer arrastar uma pobre rapariga de 19 anos para isto?

O tempo foi passando e continuávamos naquela dança:

Ela no meio da rua, já com um copito a mais a pedir-me que a pedisse em namoro; A raiva que exprimia quando a aconselhava a voltar para o ex-namorado; Os olhos que me meteu quando me viu com outra num bar apinhado.


Passámos uns 2 anos assim, eu não cedia em nada importante, continuava a fazer a vida para a qual me sentia vocacionado e Maria sofria estoicamente os rigores de amar um tipo que pouco lhe pede e menos lhe dá. Que vontade que ela tinha, daria uma boa lutadora a Maria...

domingo, janeiro 01, 2017

Morrer na praia



Roberto não se revia nos seus pais, aos doze anos era já claro que seria mais alto que eles e que não herdara as mãos habilidosas do pai ou a natureza trabalhadora da mãe. Na igreja também não havia grandes modelos a seguir, o padre veste saias e os anjos não passam de pirralhos gordos, apenas o Cristo lhe suscitava algum interesse, do topo do altar ele sangra pregado sem verter uma lágrima. Nas fantasias de Roberto, também ele morria sempre, inevitavelmente como um herói coroado pelo sacrifício supremo, uma espécie de atalho para a glória a que se julgava destinado.
Crescer não foi fácil para ele e com o tempo a sua ideia de heroísmo foi mudando. Tudo é mais simples quando se é criança, os homens ou são bons ou maus, mas com a idade procuramos ideais mais complexos, como anti-heróis que desculpem as nossas falhas e fraquezas e incidam alguma luz na escuridão que também sentimos ser nossa.
Aos dezasseis Roberto quase morreu. Estávamos em Maio e alguns de nós faltaram às aulas e pedalaram até à praia, o tempo estava bom e Roberto decidiu nadar um pouco, só se deu conta de quão forte a corrente estava quando se viu quase para lá do molhe. Nunca nadara até tão longe e ao tentar voltar pra terra percebeu que não estava a conseguir avançar. Ele ali ficou, cabeça à superfície, a água forçando-se para dentro dele e no meio daquilo pensava casualmente em como se porventura morresse ali, o resto dos rapazes estariam metidos numa bela alhada, mas não se imaginava a gritar por socorro.
Pouco depois um surfista que por acaso estava ali de passagem, apercebeu-se da situação e rebocou-o até à segurança da areia. Roberto sentiu alívio, mas o que mais sentiu foi choque pelo afastamento emocional com que encarou a possibilidade real de morrer.
Três anos mais tarde Roberto voltou à praia, alguém fazia anos e estava uma perfeita noite de primavera, daquelas em que as estrelas dão de si. Nessa altura Roberto já experimentava com a consciência, ele e o resto do grupo estavam bem bebidos quando decidiram caminhar na direcção daquele fim de terra, de frente para o mar negro da noite, enquanto o feixe de luz do farol lhes navalhava o topo das cabeças infladas pelo vinho verde e marijuana.
Ele sentia coisas, uma energia acumulada e urgente, algo de muito forte e físico que não conseguia exprimir sob pena de soar ridículo, inclusive a si próprio.
“Eles terão que ver para acreditar” – Pensou Roberto para consigo, nisto dirige-se a um dos amigos e incita-o a tentar magoá-lo.
“Anda, manda-me um soco com toda a força no estômago.”
O amigo soca-o e o punho resvala dele.
“Isso é tudo o que consegues? Bate-me a sério!”
O segundo soco é mais forte, ele sente-o mas não o magoa e a rir desafia o grupo todo.
"Mais alguém quer tentar? Ninguém me consegue magoar!"
Aquilo animou e mais uns poucos decidiram tentar. Roberto  enrolara-se a rir na areia enquanto um deles se atirava de joelhos sobre o seu abdómen.
“Suas meninas” – Incitava ele entre as gargalhadas, cara meia coberta de areia como um índio louco das caraíbas.
Ninguém o conseguiu magoar, pelo menos não naquele momento, ele tinha dezanove anos e era mais um rapaz à procura de um rito de passagem, de algum tipo de túnel de dor do qual emergisse um homem da outra extremidade. Tal não aconteceu naquela noite, com o tempo Roberto acabaria por aprender que a maturidade é a geologia dos homens, e que quaisquer mudanças parecerão lentas aos olhos que as procuram.
Mas para mim que escrevo esta história tanto anos depois, que posso unir o garoto ao homem em meia dúzia de parágrafos, estou em posição de dizer uma coisa ou outra sobre Roberto Nevada:
Foi a praia que o ensinou que quer se engula a água do mar ou se coma a areia do chão, é vital que se sobreviva, que se façam memórias e se criem histórias.

quinta-feira, outubro 20, 2016

Tal Como Nos Filmes



Isto passou-se no fim-de-semana passado, eu tinha decidido dar uma volta pela festa da paróquia, estava demasiado calor para ficar dentro de casa. A festa continuava a ser no mesmo sítio de quando eu era pequeno. Carros de choque, pistolas de plástico, bancas de bolivianos a venderem cachimbos e bandeiras com imagens de bandas, olho pelo canto do olho para o Jim Morrison, Che Guevara  e o Sitting Bull, mortos e impressos  em polyester no outro lado do mundo, são testemunhos vivos de aonde um pouco de excelência e boa aparência te podem conduzir – A uma estampagem numa t-shirt.

No final do corredor das barracas o espaço abre numa praça, há um grupo de miúdos a partir a louça branca que ganharam nas rifas, enquanto uma banda de brasileiros toca música em espanhol no coreto. Eu procuro um sítio onde me possa encostar a beber uma cerveja, mas principalmente preciso de virar as costas à multidão. A maioria dos sítios, roulottes de farturas, bifanas e cachorros à brasileira têm luzes demasiado fortes para o meu temperamento, o tipo de luzes que se espera encontrar em salas de operações, amplificada pelas paredes de plástico branco e reflectida de volta em cada poro de pele. Franqueza demais para mim, quanto melhor vejo alguém mais estranho e feio me parece (eu incluído), sou um homem que procura a meia-luz, mais um reflexo da minha natureza moderada.

Encontro uma barraquinha em tons honestos de madeira e fornecida do que se pode chamar de luz ambiente. Eu conheço de reputação o “capitão” da operação, O Professor Oliveira é um homem nervoso, um professor reformado e improvável explorador de banca na festa local. Tem o ressentimento típico de quem sente que é mais inteligente que os outros, mas basicamente é um homem com dificuldades em se relacionar, bem no meio de uma actividade nada familiar que no entanto insiste em levar a cabo todos os anos desde que se aposentou. Ele perde dinheiro, perde a paciência, mas persiste, o que não faz muito sentido já que ele não gosta particularmente de pessoas, nem da cidade e muito menos da padroeira.
Encosto-me ao balcão e peço uma cerveja.

- Aqui só servimos em copo de vidro, mas tem de beber aqui ao balcão.
- Por mim tudo bem.
- Neste estabelecimento somos orgulhosamente civilizados, nada de deambular de copo de plástico na mão, esta merda não é a América.
- Pois não.
- Vai querer uma sandes de leitão? – Apontado na direcção do porco cuja cabeça espreitava da sua caixa de cartão.
- Não.
- Não?! Por acaso não reparou no preço? Estou a vender sandes de leitão a um euro!
Olho de novo para o leitão, de olhos rasgados e boca escancarada parecia divertir-se com aquilo tudo.
- Não tenho fome.
-Ótimo! De qualquer maneira estou a perder dinheiro, mais vale que vá para o lixo.

O Professor vira-me as costas e vai direito ao leitão onde prossegue em trinchar o bicho em bocados ainda mais pequenos com repetidos golpes erráticos e irados, de vez em quando metia uma febra à boca e mastigava-a furiosamente como se estivesse mais interessado em castigar a carne do que propriamente saboreá-la. Tornava-se claro o porquê da pouca afluência nesta barraca, esta é afinal de contas uma terra de brandos costumes e os locais não estavam interessados em aturar este tipo de coisa, havia apenas outro cliente para além de mim e dava para ver que estava interessado em ser ouvido.

- Boa noite jovem, está a gostar da festa? 

- Acho que ninguém gosta realmente desta festa.

O homem gostou da resposta, mais não seja porque não lhe cortei a hipótese de continuar a falar. Se tivesse de adivinhar diria que era das idades do Professor, mas aparentava o desgaste de quem passou demasiados anos a beber ao sol. Ele vestia um fato azul temperado pelo tempo, o colarinho da camisa estava engelhado de um modo que fazia pensar que dormira com ela vestida e no topo da cabeça, um chapéu de vaqueiro iguais aos que os bolivianos vendiam por dez euros, ou sete caso leves dois.

- Haaaa sim, sim, é verdade, hahaaaa, sim. O meu nome é Hernani Sardo, um apoiante da nobre iniciativa do Professor Doutor Oliveira. Há muita verdade no que disse, sabe? Toda esta celebração reflecte uma enorme falta de preparação, e isso é fatal jovem, tanto aqui como no teatro. Passei muito tempo nos palcos e sei do que é que estou a falar.

Ele realçou esta última parte escancarando os olhos como que a insinuar para onde esta conversa se deveria dirigir. Quando o fez vi-lhe o sangue raiando os olhos azuis como uma coroa funerária. Eu não estava interessado em ouvir as suas memórias romantizadas no teatro amador, mas sempre tive dificuldade em ser desagradável para com desconhecidos, principalmente quando têm o ar trágico do Sr. Hernani Sardo, apesar disso, limitei-me a sorrir e a beber mais um golo da minha cerveja em copo de vidro.

- Estou também a levar a cabo uma acção de sensibilização sobre a qualidade da água da rede pública, infelizmente não tenho nenhuma brochura comigo, mas sabia que estudos recentes provam que a adição de flúor e cloro na nossa água são a causa do aumento exponencial de doenças como cancro, autismo e pedra nos rins? Digo-lhe uma coisa meu caro senhor, um filtro de água doméstico com rede de micróporos quânticos é provavelmente o melhor investimento que alguém preocupado com a sua saúde e bem-estar geral pode fazer.

- Não está no topo das minhas prioridades Sr. Hernani, trato o meu corpo como um templo e como tal estou aberto ao público, por assim dizer… Se estiver a ser envenenado aos poucos pelo meu governo, não quero ficar para trás e estragar os planos de ninguém, só me iria pôr a jeito para uma morte menos pausada. Fode-te e bebe água, não é o que se diz por aqui?

- E não se importa que possa estar a ser envenenado aos poucos, senhor…

- Roberto Nevada, e não, na verdade estou a contar com isso.

Aquela dose de niilismo zen estava a afectar o meu interlocutor, se não fosse tão obviamente carente de atenção provavelmente desistiria de continuar a conversa, mas deixou-se estar e mandou uma grande dentada na sua sandes de leitão.

- Sei que está a brincar comigo Sr. Nevada, olhe vou-lhe dar o conselho que uma vez dei ao Nicolau Breyner…

De súbito ouve-se um grande estrondo, uma das cadeiras do carrocel soltou-se e foi embater mesmo de frente com a bancada dos bolivianos. Estavam quietos debaixo do metal e da fibra, só se via sangue a jorrar e gente a correr, vi os olhos mortos de um deles entre os escombros. Fiquei ali especado a olhar, enquanto um grupo de homens tentava libertar os corpos. Eu não os podia ajudar, não mais do que os outros que se amontoavam à volta da cena.
Nessa noite enquanto caminhava para casa levei aquele rosto morto e ensanguentado comigo, questionando-me se a experiência de alguma forma me modificaria. Quando era adolescente muitas vezes fantasiava com algum tipo de episódio traumático que libertasse em mim algum tipo de forma extrema, alguma definição de carácter ou de falta dele, mas agora era tarde demais e apesar de não acreditar nessas coisas, disse a Deus que não tinha pedido nada daquilo e que nada daquilo me mudaria.
Só mais um par de índios mortos, tal como nos filmes – Disse eu a mim mesmo antes de adormecer.

sábado, março 05, 2016

A Profecia do Duche Quente



Eu senti-a pela primeira vez durante o banho, a água quente escorria-me pela nuca e no meio do nevoeiro quente uma ideia formou-se no meu cérebro, de que estava a entrar naquela idade em que a morte ganha protagonismo. Não para mim, estava a entrar nos trintas e como fui tardio em tudo, ainda me sentia melhor a cada ano que somava à minha conta pessoal; Pensava na morte do meu pai, que haveria de chegar em breve e mexer com a ligeira calma que vem com a idade, e mal o pensei senti aquele tipo de medo que as pessoas chamam de superstição e ressenti-me das coisas que penso sem querer, temendo que de algum modo as torno realidade.
E tornei, nem dois meses passados e o velhote estava internado. Eu estava em Lisboa quando recebi a notícia, eram os tempos depois do primeiro livro e não andava a escrever nada, em parte porque nada estava a acontecer. Não havia nenhuma daquela energia febril que me levou a lugares estranhos, daquele desdém pela vida que purgava para as páginas como se disso dependesse a salvação. A ferida fora sangrada, o livro foi escrito e agora estava nas estantes desse mundo, encarava-me da mesinha da sala, tão coloquial e vulgar como qualquer outro, a minha alma, esvaída, coada e impressa, eu finalmente escrevera o livro e agora era suposto escrever outro, mas com o quê?
Eu vivera, revivera e no meio da tempestade escrevi, agora não, eu ultrapassei a chama, vivi para contar a história e virei as costas à vida. A narrativa continuou sem mim e agora isto, morte anunciada, logo quando te começas a habituar ao desconforto de ser mais forte que o progenitor, agora que os ressentimentos se esbatem em comparação com toda a merda que tens feito, o teu pai definha e impõe-se que tenhas alguma coisa a dizer acerca disso.
Quando o fui ver ele estava a dormir, tinha a boca ligeiramente aberta e estava mais magro, cheguei-me mais perto dele, tinha o braço direito descoberto e fiquei a olhar para lá porque era mais fácil que encarar-lhe o rosto mirrado. Puxei de uma cadeira e sentei-me à sua cabeceira, era tão estranha esta perspectiva, a de estar fora da cama, acocorado no sono de outro homem. Sentia que estava preso num ritual que não compreendia, que imitava os gestos dos outros crentes, sem no entanto sentir nenhuma da confiança que vem com a fé.
Aprendi algumas coisas naqueles dias, o velhote estava muito fraco, entreabria os olhos por uns segundos, balbuciava meia dúzia de palavras e desaparecia de novo. Não conseguia deixar de pensar que poderiam ser as últimas palavras dele e que não as compreender seria de alguma forma imperdoável. Era isso que me mantinha ali, não havia nada a fazer, o meu único papel era o de testemunhar. O meu pai estava a ouvir a melodia, ele dançava com a Sr.ª Morte, arrastando os pés pelo salão perfeitamente consciente do que aconteceria quando a música acabasse. Morrer, quando feito lentamente é a experiência mais profunda a que alguém pode aspirar, e vê-la a insinuar-se na própria fonte do que me trouxe ao mundo é a total expressão do que significa ser humano pois qualquer que seja o sentido da vida, a consciência da sua finitude parece ser a causa de tudo aquilo que vale mais que meia merda.
Ao 4º dia ficou consciente tempo suficiente para me ouvir, apertava-me a mão com a força possível, dei-lhe um beijo na face e disse-lhe ao ouvido que tinha sido um bom pai, que me ensinara sobre a vida até ao fim e que me dera um bom nome. Ele não disse nada, não havia nada a dizer, o tempo acabara para ele.
Mais tarde em casa senti uma fome enorme, peguei em duas fatias de pão de centeio com uma camada fina de marmelada e uma grande porção de queijo, trinquei-as com uma fome gloriosa engolindo com ânsia enquanto empurrava tudo para baixo com vinho tinto. Depois peguei em papel e comecei a escrever, começava comigo, Roberto Nevada a profetizar sobre a morte do seu pai no meio da névoa de um duche quente.