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sábado, julho 15, 2006

Os Perus


Quando era um miúdo fiquei muito curioso em relação aos perus que a minha mãe decidiu criar, Quando se é uma criança de seis anos o galinheiro não desperta mais atenção do que tudo o resto, de certa maneira tinha-me já acostumado à presença das galinhas, mas estes novos e recém-chegados animais eram uma novidade, eram diferentes.
Havia muita coisa que tornava os perus mais interessantes do que as galinhas, eram maiores, mais coloridos e enchiam o quintal com sons desafiadores impossíveis de confundir, tinham aquele aspecto estranho e na altura da matança era sempre obrigatório embriagá-los primeiro para que as suas patas fortes e corpos maciços oferecessem menos resistência no momento em que a faca fazia o que as facas fazem.
Mas o que mais me intrigava nos perus era a relação deles com as urtigas, lembro-me da minha mãe colher grandes molhos de urtigas que aquelas ainda pequenas aves debicavam com apetite.
O mais surpreendente de tudo aquilo foi o que ela me revelou nesses tempos, aqueles pequenos perus não eram imunes às picadas da famigerada erva e se porventura um deles se picasse ao ingeri-la, uma morte certa o esperaria.
Não sei dizer se na altura fiquei desiludido por saber que aquela estranha ave na verdade não era imune àquela peste que tantas vezes nos picava as pernas, ou se pelo contrário senti um crescente respeito ao saber que mesmo vulneráveis e ainda pequenos, se arriscavam a tão trágico e repentino fim para desfrutar de algo que lhes agradava.
A verdade é que nunca mais os esqueci enquanto que das galinhas não reza a historia.

13 comentários:

Pedro Santos Cardoso disse...

Cá para mim tu e os perus...

D.g. disse...

Um bicho pequeno, enfrenta a o perigo da morte... em prol de um pequeno rebuçado...

bricomusicolaria disse...

Mas trás uma alegria no Natal!!!!

Lia Bettencourt disse...

tenho uma amiga minha que me ensinou a "táctica do perú" com os homens: embebeda e come a seguir...
desculpa, mas tá demais...tinhas de saber esta


beijões

Pedro Santos Cardoso disse...

Desculpa Lia, mas a tua amiga denota utilizar métodos obsoletos, dispendiosos e desnecessários. Não é preciso, de modo algum, embebedar. A menos, claro, que a tua amiga seja muito feia.

Lia Bettencourt disse...

ui...nao a conheces...e acaba por não ser muito dispendioso: eles pagam. seja como for, era escusado seres tão específico: a táctica do perú (embebeda e come a seguir) é gira e ponto final.

Pedro Santos Cardoso disse...

Pode até ser o macho pagar, mas a bebida pode sempre ser um risco para a perfeição do acto. Os chamados «danos colaterais», «efeitos adversos», como por exemplo falta de potência e/ou dificuldade na ejaculação.

Sim, a táctica do perú é gira. Mas quando feita por um homem a uma mulher.

Lia Bettencourt disse...

não me peças para corroborar com essa tua teoria onde é mais giro ver uma mulher ser embebedada para a seguir...e tens razão não devia ser necessário embebedar: mas até um perú é mais ardiloso que o homem.

Pedro Santos Cardoso disse...

Uma mulher bêbeda diz muitos palavrões na cama. Esta é a primeira vantagem. A segunda vantagem é que, geralmente, terá tendência para adormecer a seguir ao acto. Por isso, trata-se de uma beleza inigualável e infungível.

Lia Bettencourt disse...

uma mulher a dizer palavrões, bêbeda, em pleno acto...ahhh...aquela história do sado maso, tou a ver. se o texto fosse teu, já imaginava um perú com uma coleira com picos no pescoço e um chicote na pata a bradir no ar...

Pedro Santos Cardoso disse...

E uma bolinha-mordaça na boca.

Lia Bettencourt disse...

(é tão giro passar por aqui, uns tempos mais tarde, e ler estes comments todos de rajada...)

ps: por onde andas, Pedro Santos Cardoso?

Anónimo disse...

Gosto... :)
Mas, perús fazem-me sempre pensar numa fase, deveras desagradável, que a minha mãe diz muitas vezes: olha...e se fosses apanhar onde apanham os perús?
epaaaaaaaah.... :) nem ela sabe onde eles apanham, na realidade...é só a ela a ser muito fofinha....
Marta