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quarta-feira, julho 28, 2010

Bruto



Sou um lutador, um homem bruto e consumido pela violência, todo e qualquer outro traço que me reconheçam para além deste é vossa imaginação ou um fingimento meu, e porque sou assim, porque nasci para isto, não há outro resultado possível no ringue para além da tua destruição ou da minha, quem entrar no meu território deverá saber que não quero apenas ganhar, boxe não é um jogo, eu não sou um jogador e as consequências são muito reais.
“Podes encontrar a tua morte aqui rapaz” – Basta que o teu corpo não te proteja e não vás à lona antes de te esmurrar até á morte, ou que o arbitro, essa suposta consciência do publico não tenha a agudeza de te salvar antes que eu te tenha onde quero.
Por isso senhores não sejam tão rápidos a julgarem-me, na verdade tenho uma licença para matar, foi-me oferecida pela vossa sociedade, a destruição de homens é um espectáculo largamente apreciado e os vossos supostos valores são suspensos debaixo da jurisdição maior do lucro. Por isso vamos todos deixar de fingir civilização, esta hipocrisia envenena-me e impede-me de ser ainda mais forte e rápido do que sou hoje.

3 comentários:

D. disse...

Mais uma pérola! Já tinha saudades! :)

ophelia disse...

adoro a sequência do eu-vós-nós. Adriano, um texto bom. Mas seria ainda melhor se tivesse sido retirado do livro que NÓS precisamos que TU escrevas.

beijo

Anónimo disse...

Esse homem existe para exorcizar o outro, que está mais desprotegido!
É um estilo, you know your style :)
Marta