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sábado, setembro 10, 2011

Ossos

Não consigo estar ao sol, o segundo em que sinto o calor na pele penso que a temperatura não mais parará de aumentar, que os meus cabelos arderão em nuvens de fumo nauseabundo. Levanto-me em pânico buscando a sombra, qualquer saída desesperada onde não há nem fumo, nem dor, nem medo.
A dor manifesta-se na forma de um grito que nas suas nuances emita as labaredas do fogo. Até que o fôlego acaba e o último respirar é o do fumo de mim mesmo, e assim me consumo num deturpado e vicioso ciclo da vida, aninhado na mesma posição fetal em que nasci.
De quem seriam aqueles ossos brancos e inocentes que ali repousam onde visivelmente alguma coisa ardeu. Onde alguma coisa se perdeu...
Que força os terá animado um dia, e porque cresceram para perecerem agora?
"Chorem-me os ossos amigos..." - Parecem eles dizer, "E perdoem a carne fraca que os escondia".