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sábado, junho 09, 2012

A Água

Vejo o sangue que me escorre da mão diluir-se com a água corrente e escorrer pelo ralo do lavatório.
Momentos antes a raiva reinava, ela explodiu pelo meu braço e chocou num punho fechado com o espelho.
A raiva passou, o espelho quebrou-se num estrondo e a pele cedeu no dedo anelar, o sangue abandona-me, trocou-me pelo esgoto e parece-me uma escolha acertada no momento.
A água corre e sinto que me cura, observo-a, como é bela na sua ausência de cor, a sua transparência inspira-me ideias como honestidade e despretensão.
Quando flui sinto que ouço a primeira canção do mundo, que toda a música e filosofia partiu da vontade de a imitar, sinto-a fluir e não consigo deixar de pensar que ela se esbanja em mim sem nunca se esgotar.
É tanta a água e tão pequeno o corte que não sinto nada para além de gratidão, que a esperança vem nas horas mais estranhas e que o amor é em tudo como a água.

1 comentário:

Anónimo disse...

Sim :)
Também penso assim!
Já viste? Somos, mais que tudo, feitos de água :) Obrigatoriamente ela tem de ter propriedades especiais e mágicas, como o Amor :)
Marta Moreira Lopes