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domingo, julho 01, 2012

O Fim


Esta é a noite em que vamos morrer,
 E este é um sítio construído para se beber.
Poças de mijo nos cantos da sala,
Balcão cravejado de buracos de bala.

Há no ar um pronúncio de morte,
A musica é alta e a bebida  forte.
Todo o bar está infestado de odores,
Os homens são ladrões, assassinos e pescadores.

Ela dança sozinha no centro da pista,
Sobre a mancha no chão onde esfaquearam o pianista.
A sua pele é branca e os cabelos lisos,
Tem nos lábios carnudos promessas de sorrisos

Dança com volúpia sem nunca parar, sofre dançando em vez de chorar.

Com a coragem do whisky num mundo condenado,
Levanto-me do balcão com urgência e gana,
Toco-lhe o ombro, estou mesmo a seu lado,
Sua boca sussurra-me o nome: “Joana”.

A promessa é cumprida e a fé recompensada – Os seus sorrisos são meus.
Um amor começa enquanto o mundo acaba – Chove fogo dos céus.

Abraço-a com força, sinto-lhe o calor…
Teve um mundo de acabar para conhecer-mos o amor.
Toco-a no rosto e pego-lhe no queixo,
Há ainda tempo para um último beijo…

Boca com boca, pele com pele,
O mundo arde e nós ardemos com ele,
Acaba a ganância, o medo e a dor,
Morre a arte e morre a vida e no fim o amor

1 comentário:

Anónimo disse...

Eu penso, acredito, que o Amor não morre...o amor talvez, mas o incondicional não...
Pode morrer a paixão, pode acabar o mundo mas tudo que fica são os actos de Amor...mesmo que se fale de esculturas, quadros, textos, poemas...mas eu acredito que também se pode falar do Amor das pessoas...porque, apesar de todos os nossos erros, somos nós que construímos essas coisas...que as eternizamos...tem de haver Amor em nós..e há :)
Marta Moreira Lopes