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terça-feira, agosto 28, 2012

Poema Falhado


Manhã:

De olhos que não cabem numa cor e boca onde quero morar, é teu o rosto de que eu gosto e porque sinto a tua falta, invejo os cabelos que te abraçam a face e roçam no pescoço.
São lindos, mas inconscientes ou não se desprenderiam nunca de ti.


Tarde:

Gostar de ti é como respirar.
É um reflexo.
Intrinsecamente ligado à vida.
Profundo.
É algo que acontece.
Natural.

E tal como na respiração, quando me ponho surdo ao mundo e me concentro nela.
Há uma paz que me invade, e a vida parece-me melhor.


Noite:

Que os teus sonhos sejam sempre doces, e que os teus dias os imitem.
E que imitação seja tão perfeita que a tua vida só possa ser descrita como um sonho

2 comentários:

Pedro Santos Cardoso disse...

A sucessão do presente, os pequenos futuros que vão acontecendo uns diante dos outros refectidos em espelhos de imagens diferidas, todos mortos e mortos é como se nunca tivessem existido. Ao velho não se pode dizer que tenha vivido o passado, porque a sua percepção de vida do passado é ambígua, é a de que viveu o passado mas não viveu o passado, é a de que o passado é uma memória e não vida que tenha sido vivida. E a percepção, a final de contas, é quanto importa. Estará reconfortado o velho às portas da morte com a circunstância de ter vivido no passado? Trar-lhe-á menos angústias no estertor? Tudo é memória e agora.
Daqui a duzentos anos todos os espelhos partidos. Ou inteiros, mas sem imagem.

Anónimo disse...

E depois de uma semana?
E depois de um mês?
E depois de um ano ou de vários?
Esses são os(as) corajosos(as), lutadores(as) e os(as) que conseguem ser, verdadeiramente, felizes :)

Muito gostado :) Muito vivido!

Marta Moreira Lopes