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quarta-feira, março 21, 2012

O Ciclo da Merda

A merda fertilizou os campos de tal forma que me vi com mais do que aquilo que precisava para viver, então, criei o comércio e daí até ao dinheiro foi um instante.

Relativizas a importância do dinheiro? Que farias tu hoje sem ele? Mesmo nas flutuações dos mercados inventados, em que mais podes tu confiar? Nos outros? Que outra instituição se manteve de tal forma pulsante e viva? Como saberias tu hoje o valor de qualquer coisa se não viesse com um preço?

A merda é o grande alicerce de toda a civilização baseada no capital, mas precisamos de mais, por isso meu amigo, espero que cumpras o teu dever de bom cidadão, espero que te cages muito e para tudo.

Pensa no autoclismo como uma salva de homenagem a um herói que parte, mas encara a merda antes de a deixares ir, olha bem para ela, conhece-a e reconhece-te, ela voltará para ti e tu para ela. Podes ser neto das estrelas mas a tua mãe é a merda.

O mundo será coberto por ela, acordará do seu sono milenar no subsolo e tal como o mar quererá de volta o que é seu. Nós.

E assim, de uma maneira pervertida mas compreensível, o ideal português do sebastianismo cumprir-se-á , a merda tornará com ou sem nevoeiro e democraticamente cobrirá o melhor e o pior de tudo o que fizemos, afogará todos os homens, toda a arte, todo o engenho e todos os sonhos.

Eras mais tarde o sol explodirá levando com ele este pálido ponto azul. A merda voará pelo espaço sideral levando o nosso ideal além das estrelas, e, com alguma sorte, fecundará um novo mundo e tudo começará de novo