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domingo, setembro 23, 2012

Conversa entre dois bons rapazes – A Carne



- Olá meu irmão.  (Os 2 homens abraçam-se)
- Então? Vamos já passar a coisas sérias, onde vamos almoçar? Hoje és tu a decidir e espero que tenhas feito o trabalho de casa.
- Claro, claro. Descobri um sítio bem satisfatório, diária, pão, 75cl de terrível vinho da casa e café, tudo por 4,5€.
- Bom, bom… E que diária?
- Depende do dia.
- Conceito brilhante. Apetece-me um bife com batatas fritas, que tal é a carne lá?
- Parece-me morta. Já não como carne há 6 semanas mas pelo que vi parece adequadamente grelhada. Não gostei porém do aspeto da entremeada…
- O quê?!
- Era demasiado grosseira e peluda no courato, na minha opini…
- Não é isso, já voltamos à entremeada. Como assim “Não comes carne”, porque é que não haverias de “Comer carne”?
- Não sei, um dia olhei para o frango de churrasco à minha frente e não me consegui abstrair do facto de que aquilo era um cadáver.
- Cruzes Credo, já te apanharam não foi?
- Ninguém me apanhou, aconteceu, nesse dia o pensamento surgiu-me na cabeça e deixei de ter apetite por carne.
- Meu caro… Sabes onde estaríamos nós hoje sem carne? Escuta isto meu rapaz, foi a inclusão de carne na nossa dieta que permitiu o desenvolvimento dos nossos cérebros  para a sua gloriosa forma atual, carne é evolução, ao não comeres carne estás a travar a evolução e vais gerar crianças mais estúpidas que tu.
- Só se saírem à mãe, pretendo casar com uma mulher bem estúpida.
- Acabaste por te redimir por completo com esse comentário, mas cuidado, é bem possível que a tua ironia te abandone conforme te fores embrenhando nessa floresta de mariquice vegetariana. Detestaria ver-te transformado num chato.

sábado, setembro 08, 2012

Estrelas

Final de uma tarde de verão, o sol parece baixar sobre a terra, a luz ganha uma tonalidade amarela e líquida onde tudo aparenta ser mais nítido e o contorno de todas as coisas mais visíveis.
Eu corro. Tento não pensar que corro, as pernas sabem o que fazer, elas imitam-me o folego que me imita o coração.
Toda a beleza do mundo passa diante dos meus olhos, em breve o sol vai pôr-se por completo e as estrelas surgirão brilhantes contrastando com o fundo de veludo negro da noite.
Penso nas estrelas, naquelas cuja luz aínda viaja até aos nossos olhos apesar da sua morte distante, penso em como é pequeno o meu entendimento e relativa a noção de tempo.
Se as estrelas olharem-me de volta, talvez me vejam já morto ou quem sabe aínda por nascer...
E num espaço mágico que nunca começou e jamais acabará, todo o passado, presente e futuro não são mais do que a mesma coisa mas com outro nome, e se aí houverem olhos, que me vejam sempre nos teus braços, e que escolham sempre esse momento, onde o nosso amor vive para sempre.