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sábado, dezembro 15, 2012

Madeira, Terça-feira

Enterraram-te a uma terça-feira.
A terra foi sendo despejada sobre o teu caixão, o som ecoava pela madeira, e eu de olhos fechados era agora os teus ouvidos, era até a tua morte, tu já eras nada.
O luto, a cerimónia, todas estas lágrimas, tudo isto é para mim... Pode-se até fazer um enterro sem um corpo, mas alguém tem de cavar a sepultura.
Para mim há ainda tudo, há nada, e há principalmente uma imensidão de coisas medianas e esquecíveis.
Para ti nem "ti" há, não existes, talvez nunca tenhas existido, luto contra esse pensamento recordando-te em vida, por um instante quase que te consigo cheirar, mas por quanto mais tempo? 
E que serás tu quando o coração que  te amou parar também? Que milagre és tu ou eu quando tudo depende deste músculo bombeador de sangue que a terra há-de comer?
Não há um significado profundo nesta terça-feira, foi só mais um mundo que acabou, e o que é um mundo num universo infestado de estrelas que implodem e explodem queimando todos os vestígios de Deuses, Calendários e Propósitos.
"Meu Deus" - Pensei eu, " Quanto mais tempo vou eu aguentar esta merda? Que é isto que chamam de amor? E como é suposto eu aprender seja o que fôr quando tudo muda numa constante e ensurdecedora dança de vida e de morte?"