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sexta-feira, julho 12, 2013

O verão e a tua mão



Olha para nós agora, tão novos e bronzeados, bêbados de sol e água salgada.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os teus pés sujos.
Ainda há minutos comíamos pêssegos roubados e corremos por uma nuvem de carvão e peixe grelhado.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho o teu cabelo molhado.
Talvez caminhemos até casa, talvez apanhemos o autocarro, talvez nos amemos para sempre.
O fim do dia traz a luz líquida que torna tudo mais nítido.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os traços de salitre no teu rosto.
A areia solta-se das minhas pernas nuas, enquanto uma brisa vinda de oeste carrega o óleo de coco com que te cobres.
Um carro sobreaqueceu, alguém paga demais por uma cerveja, uma bola passa a rebentação perdendo-se para sempre e eu sonho com rum e gelo.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os teus lábios entreabertos.
Saio de dentro de mim e sinto-lhe a mão na minha, os nossos dedos entrelaçados como vime, olho para ela e ela para mim, de alguma forma também ela percebeu a importância deste momento.
Um dia este verão acabará, tu nunca serás tão linda como hoje, e eu perseguirei de todas as maneiras um vislumbre da perfeição esfarrapada que temos agora.
E falharei sempre.

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