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quinta-feira, agosto 15, 2013

Amie


Sentado na cozinha a fumar, no terceiro dia de agosto, 2011 anos depois de cristo, lembro-me de Amie, a menina americana que durante uns meses frequentou a minha turma na 2ª classe.
Amie tinha longos cabelos castanhos ligeiramente frisados, era silenciosa e tinha olhos escuros e cativantes que emergiam da sua pele branca com a inevitabilidade de uma lei da física.
Nunca me atrevi a falar com ela, mas ainda sinto um aperto no coração quando recordo o momento em que a vi a acariciar, com um carinho compenetrado, o escalpe do Miguel nos degraus do recreio.
Lembro-me bem desta imagem, dos olhos grandes e tranquilos de Amie, da sua boca rosa e fechada, da felicidade estampada na cara do Miguel que só poderia estar a escorrer das mãos de Amie.
Não tenho memória de mais nada da Amie, onde se sentava na sala de aula, qual o timbre da sua voz, ou o que quer que tenha feito antes ou depois disto é um completo mistério para mim. O que sei é que o meu coração se partiu então Amie, que quis que fosse o meu cabelo que as tuas mãos tocavam, e que a precoce e doce calma dos teus olhos e boca, causaram uma tal impressão em mim que ainda hoje te procuro.
Apago o cigarro e penso que o amor é uma coisa de silêncios. Que tudo o que quero é que ela me toque no cabelo e que fiquemos calados. 
Então e agora, o que quero é amor, mas não quero falar sobre isso.

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