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sábado, novembro 30, 2013

Adeus



O amor morreu e como com todas as coisas que morrem há uma certa dose de pragmatismo que é absolutamente necessária.  É muito tentador mergulhar num profundo luto, há toda uma tendência natural para isso, porém, há um cadáver na sala, e em breve ele empestará tudo em seu redor com o honesto e nauseabundo odor das coisas que foram e já não são.

Enterra-o. Mas não penses em como ele faz parte de um ciclo, de como o solo o incorporará num sistema de decomposição e transformação, não imagines a vida que dele brotará.

Atira-o ao mar. Mas abandona as ideias de que também ele alimentará outras vidas, que milhares de cardumes se alimentarão dele e que de alguma forma ele voltará para dentro de ti, animando-te o corpo e as ideias.

Queima-o. Mas se tiveres de olhar a sua pira funerária e reparares no fumo que sobe aos céus dissolvendo-se finalmente num lugar misterioso, lembra-te que não mora lá ninguém e que o mistério está nos limites da tua visão e no histerismo da tua mente.
Não digas adeus a quem não está lá, não te despeças de coisas mortas e acima de tudo não escrevas sobre isso.

Adeus.

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