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quarta-feira, julho 31, 2013

Tontura



Estas são as coisas que eu conheço.
Homens e Mulheres que caminham em elipses de dor e descontentamento.
Heróis de plástico, alinhados por directores de casting em linhas perfeitas.
Rios de merda e mijo que desaguam em águas santas posteriormente engarrafadas e rotuladas.
Epopeias de masturbação cibernética, onde pixels de luz e cor animam olhos vazios.
Magia e arte transformadas em chavões e clichés idiotas.
Egos inflados, equilibrados sobre finos gumes de facas ferrugentas, suspensos sobre um mar de ácido infestado de tubarões alcalinos.
Caves luminosas e estéreis onde sob a luz branca levam-se a cabo complexos cruzamentos de raças, de forma a que os cães se assemelhem a caralhos e ladrem música de elevador.
Este também é o mundo…
Aqui, onde a tua personalidade é premeditada, pré-empacotada e disponível em suaves nuances de cor e preço.
Onde homens e mulheres conduzem até à sua próxima refeição e de seguida fodem sobre os invólucros de plástico e restos de batatas fritas.
Onde o riso são três letras e as mulheres celebram com abandono a sua puta interior.
Onde a sinceridade é escrutinada e batida até à morte com bastões de repetição.
Onde ninguém conversa, ninguém ouve, mas onde o silêncio é desconfortável e proibido.
Pobre homem… Que pisa as flores, mas mantém as estradas asseadas
Os teus cães são ainda a ignorância e o preconceito, e um ano deles equivale a sete dos nossos. E eles enterrar-te-ão com as suas patas traseiras num buraco a três quilómetros do sítio onde nasceste, pelo prazer de mijar na tua sepultura.
Amor in-vitro, nascido prematuro e a ferros, morre velho e senil.
E amanhã é outro dia.

sexta-feira, julho 12, 2013

O verão e a tua mão



Olha para nós agora, tão novos e bronzeados, bêbados de sol e água salgada.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os teus pés sujos.
Ainda há minutos comíamos pêssegos roubados e corremos por uma nuvem de carvão e peixe grelhado.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho o teu cabelo molhado.
Talvez caminhemos até casa, talvez apanhemos o autocarro, talvez nos amemos para sempre.
O fim do dia traz a luz líquida que torna tudo mais nítido.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os traços de salitre no teu rosto.
A areia solta-se das minhas pernas nuas, enquanto uma brisa vinda de oeste carrega o óleo de coco com que te cobres.
Um carro sobreaqueceu, alguém paga demais por uma cerveja, uma bola passa a rebentação perdendo-se para sempre e eu sonho com rum e gelo.
Estamos a caminhar de mãos dadas e de soslaio olho os teus lábios entreabertos.
Saio de dentro de mim e sinto-lhe a mão na minha, os nossos dedos entrelaçados como vime, olho para ela e ela para mim, de alguma forma também ela percebeu a importância deste momento.
Um dia este verão acabará, tu nunca serás tão linda como hoje, e eu perseguirei de todas as maneiras um vislumbre da perfeição esfarrapada que temos agora.
E falharei sempre.